A maria-fumaça chega ao porto do Taboado

Lá vem o trem! Uma serpente de ferro cruzando florestas, cerrados, apitando e assustando os sertões.
Os boiadeiros, parecendo amuados, limitam sua tarefa em trazer os rebanhos procedentes do estado vizinho até a travessia do Paranazão e forçar o embarque das reses dos currais para as plataformas ferroviárias, muito diferente do que estavam acostumados a lidar.
O toque do berrante emudeceu, agora fala mais alto o progresso – o apito da maria-fumaça lhes diz que a tecnologia está presente e chegou para ficar. Cada trem-de-ferro boiadeiro com oito vagões-gaiola transportava entorno de 200 bois em menos de dez horas até o embarcadouro de Gonzaga de Campo, em São José do Rio Preto. Antes, pela estrada boiadeira a mesma viagem era feita em não menos dez dias porque uma boiada caminhava pouco mais de 20 quilômetros diários, quando muito.

" Muitas cidades foram construídas ao longo da picada feita para demarcar o traçado da Estrada de Ferro Araraquara (EFA) que se estendeu pela região. Assim aconteceu com Jales, Urânia e Santa Fé do Sul (Sederval Nardoque)

Em todos os setores houve avanço com a chegada da ferrovia: aumentaram-se as invernadas das fazendas de engorda de bovinos, as cidades de modo geral ganharam impulso, os trens de passageiros destronaram as jardineiras que patinavam nas estradas de terra lamacentas nos tempos chuvosos, a comercialização de produtos tiveram redução de frete e se estabeleceu a comunicação telegráfica através dos fios da araraquarense. Além da transmissão de telegramas, havia o serviço de correios mais rápido possibilitando postar a correspondência em caixa postal no boxe de um dos vagões.
Surgiram rumores de se fazer uma ponte rodo-ferroviária à montante do porto e eliminar a demora na travessia com balsas facilitando mais ainda o escoamento de produtos agrícolas para a Capital e até para o Exterior. O trem de ferro mudou a paisagem, os meios de comunicação, de transporte e impulsionou o progresso e o desenvolvimento da região rio-pretense ligada pelo eixo percorrido pelos tropeiros e boiadeiros.